Bullet Journal: primeiros passos pra entender esse método apaixonante

Bullet Journal. Se você ainda não sabe o que é isso, se prepara: há grandes chances de você entrar nesse universo e não conseguir mais sair. Foi o que aconteceu comigo: de um dia pro outro fui apresentada a esse método, e fiquei obcecada por todo conteúdo relacionado. Antes de qualquer coisa, não posso deixar de mencionar a rainha do bullet journal no Brasil: a Maki do Desancorando.

Na teoria, se trata de um organizador manual, uma maneira de organizar prioridades e afazeres através de um caderninho prático, feito a mão e com uma essência minimalista. Existe uma base pra esse método, e a partir daí cada um vai adaptando o seu próprio “bujo”.

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Mas na prática, na minha prática, o bullet journal significa um respiro. Eu poderia ter simplesmente uma agenda. Mas preferi me dedicar a esse pequeno projeto, que exige dedicação, cuidado, inspiração e empenho. Não deu certo de primeira, nem todo dia dá certo, mas não é assim que costuma ser tudo nessa vida?

Pois vamos lá. O que é o bullet journal e como funciona?

O BuJo é um método criado por um cara chamado Ryder Caroll e, segundo ele, é “um sistema analógico da era digital”. Ele fez um vídeo explicando o básico do método, está em inglês mas já dá pra ter uma ideia de como funciona. Aliás, a maioria do conteúdo sobre o bullet journal está em inglês, então vamos reforçar a biblioteca brasileira né? Estou juntando coragem pra fazer um em português mostrando como eu uso o método – será que rola?

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Explicando em poucas palavras: o bullet journal te ajudar a fazer um PLANEJAMENTO DO FUTURO (que pode ser trimestral, semestral ou até anual), que deriva num PLANEJAMENTO MENSAL, que deriva num PLANEJAMENTO DIÁRIO E/OU SEMANAL. A mágica do bullet journal acontece no método como todos esses planejamentos conversam entre si, e também em como eles dão origem a outras categorias, como as COLEÇÕES. Isso acontece, por exemplo, com a migração. Exemplo: se tenho muitas notas sobre restaurantes nos meus “logs diários”, eu posso migrá-las para uma coleção chamada RESTAURANTES, e catalogá-la no ÍNDICE, que é o pai e a mãe de todo bullet journal.

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Dá uma olhadinha no vídeo da maki:

 

Um lugar pra planejar, registrar e seguir todos os seus planos e tarefas.

E, acima de tudo, um lugarzinho pra dar uma parada e organizar num papel todos os planos, ideias, inspirações e informações que ficam rodando a nossa cabeça diariamente.

Gostou da ideia? Vem comigo e morra de amores por todas as referências que tenho guardadas no pinterest. E se quiser saber mais sobre o meu, deixa eu comentário e me conta 🙂

Sobre memórias e uma irmã improvável

bring backbring backbring back my bonnie to meto me (1)Um dos melhores momentos da última semana pra mim foi um áudio no whatsapp. Minha irmã cantando uma musiquinha infantil em inglês. E, bem, ela tem mais de 30 aninhos.

Sequência de fatos: ontem eu pensei na minha irmã no meio da rua – mas tava sem bateria pra escrever pra ela na hora. Aí chego em casa, boto o celular pra carregar e, puf: ela me escreve. Essas coisas de sintonia, que pra gente é diferente: somos irmãs por parte de pai e praticamente nunca moramos na mesma casa (apenas por alguns meses). As pessoas olham pra gente e o último que imaginam é que somos irmãs. Mas nós somos. E por causa da vida, e das circunstâncias, construímos essa sintonia – diferente, mas igualmente forte.

E nossas memórias de irmãs também existem. Como essa música infantil toda em inglês, que sabemos a letra inteira e nem sabemos como aprendemos tudo em inglês sendo tão pequenas. Pra gente, uma rodinha de violão é bem mais que um luau de adolescentes. Nela tem uma pasta preta de música cheia de Caetano, Milton Nascimento, Almir Sater e Roupa Nova. Pra gente, os nostálgicos biscoitinhos da piraquê não podem ser comido em outra situação a não ser em uma viagem de ônibus. E, aliás, canja é a comida mais adequada pra quando se chega ao destino final. Somos PHD na arte de limpar camarão. E, não sei se ela se lembra, mas a gente também tem a nossa música. E é essa aqui:

E esse é o nosso comercial de TV:

Esse, é o quintal onde a gente brincava nos finais de ano. E os nossos queridos avós de quem sentimos e sentiremos tanta falta. Cantamos o abecedário da xuxa inteiro correndo nesse quintal em círculos, e está tudo registrado num VHS.

 

E essas somos nós.

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Esses dias ela fez aniversário, e esse é meu jeito de dizer que, mesmo longe, estarei sempre enviando pensamentos positivos através desse nosso elo de sintonia que, contrariando muitas expectativas, se formou. 🙂

Crise profissional: quem nunca?

spring-laurel-_-be-braveTô querendo escrever esse post há, no mínimo, 1 ano. Mas naquela época, a frustração era muito grande pra conseguir transformar o sentimento em motivação. Há mais ou menos 9 meses, as coisas mudaram. Primeiro eu pensei: vou esperar passar um tempinho, os 3 meses de experiência pelo menos, pra não cantar vitória antes da hora. Depois disso, fiquei muito ocupada e acabei sempre deixando pra depois.

Hoje eu continuo ocupada, mas vim aqui. Porque alguém passando pelo que eu passei pode terminar vindo parar aqui. E vai que eu consigo ajudar? Vamos lá. Como o título indica, esse texto é sóbre trabalho. Sobre carreira e sobre encontrar o caminho e sobre a crise que, pra mim, foi inevitável. 

Sem saber direito porquê, estudei publicidade. Já vinha meio indecisa, abandonei jornalismo no comecinho, quis arquitetura, depois desenho industrial, e praticamente na fila do vestibular mudei de ideia. Sou mais uma pra confirmar: aos 18 anos, quase ninguém tem ideia do que quer fazer da vida. Na metade da faculdade me agarrei numa oportunidade de estagio e fui me dando “bem”. Trabalhei como redatora alguns anos, em agências pequenas e numa cidade pequena. Mas nunca amei o trabalho de criação em agência. Simplesmente isso: nunca amei, não tinha o tesão que via em meus colegas. Que não necessariamente amavam seus trabalhos, mas eles se identificavam e se sentiam a vontade ali. Eu não. Brainstorming coletivo, por exemplo, não é comigo. Gosto de ter minhas ideias quietinha no meu canto.

Aí que: decidi viajar, larguei tudo, fui embora. Falando “vou trabalhar de qualquer coisa, vou morar um tempo fora, fazer uns cursos, tô nem aí”. Luiza de hoje diz pra Luiza de ontem: para de besteira, fazendo o favor.

Em 2011 cheguei na Argentina e, depois de uns meses vivendo de economias, não tinha jeito: precisava trabalhar. E sem saber direito o que queria fazer, fui pra um trabalho que procurava alguém que falasse espanhol, português e inglês. Naquela época meu espanhol e meu inglês ainda estavam meio fracos, mas um trilingue é tão difícil que eles acabaram dando um desconto. Entrei. O trabalho? Não tinha nada a ver com publicidade. Nada de comerciais, nada de títulos, slogans, jingles, briefiengs. Um trabalho pra pagar as contas. Fui levando, até perceber que estava presa. Tinha deixado de lado “a busca” e me acomodei em um trabalho que não tinha nada a ver comigo. Me acomodei tanto, que fiquei boa. Fui promovida. Mudei de departamento. Fui reconhecida. Me destaquei. Fui hunteada. Mudei de trabalho, fui boa de novo. E aí pirei. Já não dava mais. Três anos se passaram e eu tava enlouquecendo, pensando que não poderia fazer aquilo por muito tempo mais, mas não conseguia olhar pra fora. A essa altura eu já tinha entendido que poderia fazer MIL COISAS dentro de comunicação e publicidade que não eram trabalhar na criação de uma agência. Mas aí, já tava mais velha. Meu currículo já tinha ficado estranho. Eu olhava pro meu currículo e pensava: eu jamais me contrataria. É praticamente um gap de 3 anos. Como eu tinha tanta certeza? Eu trabalhava como recrutadora. Tcham.

Quem vive nessas crises (e recrutadores em geral passam por muitas delas, já que é um trabalho um pouco estranho e, me arrisco a dizer, de transição) passa por dias bons, dias neutros e dias péssimos. Em dias péssimos eu chegava em casa arrasada. No trabalho, olhava pro computador e nada daquilo fazia sentido. Volto a dizer: eu era boa. Tinha um trabalho legal. Trabalhava numa empresa muito bacana. Meu salário não era ruim. Mas eu tava enlouquecendo. O que eu fiz? Google. O que resolve todos os problemas. “Conteúdo + português”. Conteúdo era uma área pela qual eu simpatizava muito. E só precisava achar uma vaga que precisava de mim, ou, melhor dizendo, do meu português. Fiz isso várias vezes. E um dia, ali estava ela: uma vaga pra mim. Vou citar as palavras chaves que saltaram na minha frente: conteúdo, web, televisão, séries, filmes, português. Do mesmo jeito que agarrei aquela oportunidade de estágio na faculdade, eu enviei um e-mail imediatamente com meu CV. Na mesma semana me chamaram. Fiz a melhor entrevista da minha vida – a base de muita reflexão e amadurecimento de como eu poderia transformar minha experiência aparentemente inútil em algo que me ajudaria muito. Arrasei. Mesmo. E entrei.

Há 9 meses, respiro aliviada. E cada vez que vejo nos corredores a recrutadora que me chamou, dou um abraço nela, querendo dizer “obrigada por ter acreditado no meu CV esquisito”. Não sei se eu vou fazer isso pro resto da minha vida, mas me vejo nisso por muitos e muitos anos. Encontrei uma fórmula que funcionou pra mim: um trabalho que precisava das minha habilidades. Todo mundo é bom em alguma coisa, e eu achei um trabalho que precisava justo dessas minhas coisas boas. Não tenho aquela  ilusão de amar loucamente o que faço – isso é para poucos. Um trabalho precisa, sim, pagar as contas. E precisa também motivar. E com isso, junto com uma boa dose de qualidade de vida, fico satisfeira.

E sabe o que é mais curioso? Aquele amadurecimento de transformar minha experiência em algo útil, não foi papinho de entrevista. É a mais pura verdade. Trabalhei em algo que não tinha nada a ver com nada, mas tive experiências muito valiosas. Tive chefes maravilhosos, companheiros incríveis – outros nem tanto, mas que tiveram seu papel na história toda. Pisei em multinacionais pela primeira vez, melhorei HORRORES meu nível de inglês quando me vi tendo que fazer apresentações em inglês numa conferência telefônica – e, mais que isso, ganhando um concurso de apresentações da equipe. Me pergunto às vezes se eu estaria preparada pro meu trabalho de hoje se não fosse por tudo isso. E na maioria dessas vezes me respondo: acho que não.

Ah, a vida. Essa danadinha.

Luiza, volte.

tacoEis um daqueles dias em que eu penso: preciso escrever. E pra não ficar pensando muito, aqui estou eu: escrevendo.

Ontem passei um tempo lendo minhas coisas antigas e ó, a vida mudou. Mudou pra caramba. Até o fato de não escrever mais tanto (ou simplesmente escrever) tem a ver com tudo o que a vida mudou. Por mais que minhas inspirações pra escrever já não sejam as mesmas, escrever é uma das coisas que eu não gostaria de perder nunca. Mas estou perdendo. Então, venho pedir licença pra escrever qualquer coisa, até encontrar minha inspiração de novo. Sei que vou ser vazia às vezes, sei que os textos não vão ter a sacada. Atenção, defeito detectado: eu não deveria estar pedindo licença pra nada. Esse é o meu blog, não é? É, essa sou eu – pedindo desculpas / licença quando não deve.
Pra fazer valer esse texto, vou enumerar algumas coisas que mudaram nos últimos tempos. A cidade. O país. A vida amorosa (que passou de uma vida amorosa pra simplesmente um amor). O trabalho. As prioridades. Os amigos. Os gostos. Os conceitos. A paciência.

Será que eu virei adulta? Ai meu Deus.

Seeking a friend for the end of the world

ilustra textoTem tempo já que tô numa fase complicada. O nome da fase pode ser: dificuldade pra fazer amigos. Eu, que não sou a pessoa mais sociável do mundo, pensei que era mais uma das minhas zicas emocionais. Porque além de ter um pézinho na antisocialidade (?), eu to cada vez menos tolerante. Mas aí resolvi começar a falar disso com algumas pessoas: com meu namorado, com minhas queridas e velhas amigas que moram longe… e ó, tá tudo mundo na mesma.

Eis que, há uns dias, me deparei com esse texto no maravilhoso blog Cup of Jo. Tá em inglês mas, resumindo, ele fala de como é difícil fazer amigos quando você atinge uma certa idade. E de como é difícil pra todo mundo.

E porque eu acho que é só comigo? Algumas opções: 1 – porque eu tenho essa tendência; 2 – porque hoje em dia a gente vê a vida dos outros pelas redes sociais e ali tá tudo mundo sempre muito bem, curtindo a vida adoidado.

Houve um tempo em que eu, solteira e adolescente-quase-adulta, tive meus casinhos. E né, é aquela coisa. Você fica esperando, fica se perguntando porque é tão difícil, fica se policiando, pensando o que a pessoa achou de você, pensando que você tem dedo podre, se perguntando se você deve tomar a iniciativa e chamar pra fazer alguma coisa, torcendo pra que aquela pequena relação promissora dê certo. Hoje, claramente, agradeço que nenhuma delas tenha dado certo (obrigada, destino). Mas, tudo isso é pra dizer: É A MESMA COISA. Só mudou o target.

Pra começar, os amigos platônicos. Conheço gente com quem convivi durante bastante tempo. Tipo 2 anos, no trabalho. Quando falo convivi, significa que estávamos no mesmo andar, no mesmo projeto, em equipes paralelas. E nunca rolou nada mais que uns ois educados e sorridentes. Mas hoje penso: poxa vida, essa pessoa dava uma boa amiga. E aí eu faço o que? Depois de mais de um ano sem nem ver essa pessoa com quem eu nunca nem falei direito eu chamo no facebook e falo que to afim? Complicado.

Tem as pessoas que me encheram de esperança. Tinha tudo pra dar certo. Mesmos gostos, mesma sintonia pra fazer piada, mesma nacionalidade (o que no meu caso é de grande relevância)… e por algum motivo, perdeu o encanto. A pessoa pisou na bola, deu sinais de que não era tão legal assim, e vocês silenciosamente resolveram se afastar.

Tem os que quase foram. Gente que parecia que ia rolar somente uma simpatia e educação mútuas, mas quando você se deu conta vocês tavam sendo retardados juntos. Esse pra mim é o ápice da amizade: SER RETARDADOS, fazer piada besta, dançar em público, ter crises de riso. E aí, o destino falou UEPA, Ó EU AQUI!, e vocês se afastaram pelas circunstâncias. No meu caso, troquei de trabalho. Mas… isso é motivo? É aquela coisa, voltando a tomar a adolescência como referência: quando o relacionamento é muito recente, ele é sensível. E quando as partes envolvidas não se esforçam tanto, FUÉN. Amizades de trabalho tem disso: a única coisa em comum entre vocês pode ser aquelas 8 horas. Porque fora, vocês podem gostar de fazer outras coisas, conviver com pessoas diferentes, etc… e pra não dizer que tô esquecendo do mais importante: falta iniciativa. De todo mundo. Tá todo mundo sentado no computador, vendo todo mundo fazer coisas e achando que esteve ali com eles só porque curtiu a foto no instagram.

E os amigos que você já tem? Pra começar, tem os que te mantém forte. Porque hoje vocês estão longe, mas se agarram no fato de que vocês sempre vão estar ali um pro outro e que UM DIA vão estar juntos de novo. E envelhecer juntos (olha aí a adolescência de novo).

Mas como a vida não facilita, ela fala: vou pegar essa amizade aqui e vou separar vocês com a tecnologia. Oi? Como assim? Na distância a tecnologia não deveria aproximar? Facebook, Skype, whatsapp, viber? Não quando uma das partes é uma pessoa offline. Sim, existem pessoas offlines. É um tema polêmico, mas ele infelizmente existe.

Existe também, como o texto mesmo fala, um agravante MOITO importante: quando você está num casal, tende a se isolar mais ainda (generalizando e me incluindo). Primeiro porque é uma companhia constante que dá certa segurança emocional – pelo menos comigo acabou me deixando mais livre pra selecionar minhas amizades. Não me esforço pra ser amiga de gente que já vi, em pouco tempo, que é insuportável. Depois porque, ao fazer muita coisa juntos, é natural que vocês tenham amigos em comum. E aí tem os outros agravantes: se uma pessoa rondando os 30 já tem dificuldade de fazer amigos sozinha, imagina duas juntas. Casais amigos? Super complicado. Pode acontecer de o melhor amigo do seu namorado namorar uma menina CHATISSIMA e vocês não podem ser casais amigos por nada nesse mundo.

Nico, o argentino que escolhi pra chamar de meu, está na mesma situação – mas com uma diferença: ele não se importa. Tá de boa com seus grupos de velhos amigos, se juntam de vez em quando e tá tudo muito bem. Eu, a uns vários quilômetros de distancia dos meus (que agora estão todos espalhados), não tenho a mesma sorte.

A sensação é de que todo mundo já tem seus grandes amigos e ninguém está realmente aberto pra ter novos (eu me incluo: querer ter não é o mesmo que estar emocionalmente aberta). Tudo bem sair de vez em quando, tomar um cafezinho, se falar pela internet, mas chega um ponto em que a amizade não avança mais. E de amizades superficiais, tô bem cansada.

Não, esse não é um texto que vai ter um parágrafo conclusivo. Aceito sugestões. E amigos.

*se você não entendeu o título, clique aqui.