Monólogo Individual

Você sabe. Por trás do seu emprego maravilhoso, você sabe. Por baixo dos quilos perdidos com sucesso, você também sabe. Por trás de ter terminado a faculdade, por trás de sair da casa dos pais, ou de começar um namoro, ou de finalmente o namoro ter terminado, porque, sinceramente, chega uma hora que não importa mesmo quem termina. E por trás da viagem dos seus sonhos e dos sonhos da sua família e dos sonhos dos seus amigos e até dos sonhos de quem nem te conhece, você sabe. Ou por trás do seu novo apartamento, do seu novo amigo, do seu novo amor.

Você sabe o que é que acontece quando ninguém está olhando. Que na verdade fazer o que faz pro resto da vida te dá náuseas. Que a sua força de vontade não é tão grande e você sabe que vai falhar, cedo ou tarde. Que você chegou onde chegou e todos estão orgulhosos, mas que na verdade isso não é lugar nenhum. Que você conquistou tudo o que tem e sabe que na verdade não tem nada. Que você não tem a menor ideia do que está fazendo. Que você não está preparado e faz o que não sabe que está fazendo mesmo assim. Sabe o quanto de tempo já perdeu e desconfia que continua perdendo. Sabe que você ainda é você e sabe quem você é, independente do lugar, do trabalho, do namoro, da casa e dos quilos perdidos ou do cabelo cortado. Sabe que podia ser diferente, mas nunca é. Só uma viagem não te muda, só uma formatura não te muda, só um emprego sensacional não te muda, ou só um novo namoro, um novo fim, um novo lugar ou uma nova pessoa. Sabe que, pra fazer o que tem que ser feito, tem que fazer sozinho. E sabe que não tem certeza se dá conta disso.

E sabe, sabe bem, que sempre pode dar errado. Sempre pode sair do seu controle. Sempre pode não ser nada do que você pensou. E sabe também que apesar do calafrio que dá pensar em tudo o que você sabe, sempre existe um espaço para ser feliz. Quando dá errado, quando você falha, quando sai do seu controle, quando não sai e é ainda pior ou quando você simplesmente não estava esperando. Isso não é uma opção. Sempre existe um espaço, por mais que seja apertado, escondido e difícil de achar: ele sempre vai existir. E aí, não tem sabedoria que explique.

As caixas que viraram prateleiras que viraram divisória que viraram amor ♥

Desde que me mudei há 1 ano e meio, comecei a juntar caixas pra usar na decoração. Descobri um lugarzinho que não fazia cara feia pra dar e a cada semana ia lá buscar mais uma ou duas. Até que juntei todas e comecei a trabalheira: lixar e pintar. Tenho zero paciência pra lixar, então fica mais bonito se você olhar de longe 🙂

Primeiro fiz a estante, que serviu de “apoio” pra “árvore de natal”, depois mudou de lugar mas continuou no mesmo formato.

Estante

ATÉ QUE eu cismei há 1 semana que queria uma divisória. Queria e queria. Moro num “monoambiente” e queria a ilusão de dividir quarto e sala. Não queria gastar dinheiro comprando um móvel, porque em alguns meses vou me mudar novamente. ENTÃO, olhei pras caixas. Elas olharam pra mim. E decidimos que era a hora.

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A melhor parte foi a parte de trás – que por preguiça acabei não pintando, porque ninguém ia ver. E tive que cobrir. Fiz um painel de fotos em preto e branco e depois coloquei pisca-pisca. Tudo fica mais lindo com pisca-pisca 🙂

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E agora to assim, apaixonada. Antes de dormir minha pergunta é: “preciso mesmo apagar o pisca-pisca?”

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Pinóquio também gostou 🙂