Seeking a friend for the end of the world

ilustra textoTem tempo já que tô numa fase complicada. O nome da fase pode ser: dificuldade pra fazer amigos. Eu, que não sou a pessoa mais sociável do mundo, pensei que era mais uma das minhas zicas emocionais. Porque além de ter um pézinho na antisocialidade (?), eu to cada vez menos tolerante. Mas aí resolvi começar a falar disso com algumas pessoas: com meu namorado, com minhas queridas e velhas amigas que moram longe… e ó, tá tudo mundo na mesma.

Eis que, há uns dias, me deparei com esse texto no maravilhoso blog Cup of Jo. Tá em inglês mas, resumindo, ele fala de como é difícil fazer amigos quando você atinge uma certa idade. E de como é difícil pra todo mundo.

E porque eu acho que é só comigo? Algumas opções: 1 – porque eu tenho essa tendência; 2 – porque hoje em dia a gente vê a vida dos outros pelas redes sociais e ali tá tudo mundo sempre muito bem, curtindo a vida adoidado.

Houve um tempo em que eu, solteira e adolescente-quase-adulta, tive meus casinhos. E né, é aquela coisa. Você fica esperando, fica se perguntando porque é tão difícil, fica se policiando, pensando o que a pessoa achou de você, pensando que você tem dedo podre, se perguntando se você deve tomar a iniciativa e chamar pra fazer alguma coisa, torcendo pra que aquela pequena relação promissora dê certo. Hoje, claramente, agradeço que nenhuma delas tenha dado certo (obrigada, destino). Mas, tudo isso é pra dizer: É A MESMA COISA. Só mudou o target.

Pra começar, os amigos platônicos. Conheço gente com quem convivi durante bastante tempo. Tipo 2 anos, no trabalho. Quando falo convivi, significa que estávamos no mesmo andar, no mesmo projeto, em equipes paralelas. E nunca rolou nada mais que uns ois educados e sorridentes. Mas hoje penso: poxa vida, essa pessoa dava uma boa amiga. E aí eu faço o que? Depois de mais de um ano sem nem ver essa pessoa com quem eu nunca nem falei direito eu chamo no facebook e falo que to afim? Complicado.

Tem as pessoas que me encheram de esperança. Tinha tudo pra dar certo. Mesmos gostos, mesma sintonia pra fazer piada, mesma nacionalidade (o que no meu caso é de grande relevância)… e por algum motivo, perdeu o encanto. A pessoa pisou na bola, deu sinais de que não era tão legal assim, e vocês silenciosamente resolveram se afastar.

Tem os que quase foram. Gente que parecia que ia rolar somente uma simpatia e educação mútuas, mas quando você se deu conta vocês tavam sendo retardados juntos. Esse pra mim é o ápice da amizade: SER RETARDADOS, fazer piada besta, dançar em público, ter crises de riso. E aí, o destino falou UEPA, Ó EU AQUI!, e vocês se afastaram pelas circunstâncias. No meu caso, troquei de trabalho. Mas… isso é motivo? É aquela coisa, voltando a tomar a adolescência como referência: quando o relacionamento é muito recente, ele é sensível. E quando as partes envolvidas não se esforçam tanto, FUÉN. Amizades de trabalho tem disso: a única coisa em comum entre vocês pode ser aquelas 8 horas. Porque fora, vocês podem gostar de fazer outras coisas, conviver com pessoas diferentes, etc… e pra não dizer que tô esquecendo do mais importante: falta iniciativa. De todo mundo. Tá todo mundo sentado no computador, vendo todo mundo fazer coisas e achando que esteve ali com eles só porque curtiu a foto no instagram.

E os amigos que você já tem? Pra começar, tem os que te mantém forte. Porque hoje vocês estão longe, mas se agarram no fato de que vocês sempre vão estar ali um pro outro e que UM DIA vão estar juntos de novo. E envelhecer juntos (olha aí a adolescência de novo).

Mas como a vida não facilita, ela fala: vou pegar essa amizade aqui e vou separar vocês com a tecnologia. Oi? Como assim? Na distância a tecnologia não deveria aproximar? Facebook, Skype, whatsapp, viber? Não quando uma das partes é uma pessoa offline. Sim, existem pessoas offlines. É um tema polêmico, mas ele infelizmente existe.

Existe também, como o texto mesmo fala, um agravante MOITO importante: quando você está num casal, tende a se isolar mais ainda (generalizando e me incluindo). Primeiro porque é uma companhia constante que dá certa segurança emocional – pelo menos comigo acabou me deixando mais livre pra selecionar minhas amizades. Não me esforço pra ser amiga de gente que já vi, em pouco tempo, que é insuportável. Depois porque, ao fazer muita coisa juntos, é natural que vocês tenham amigos em comum. E aí tem os outros agravantes: se uma pessoa rondando os 30 já tem dificuldade de fazer amigos sozinha, imagina duas juntas. Casais amigos? Super complicado. Pode acontecer de o melhor amigo do seu namorado namorar uma menina CHATISSIMA e vocês não podem ser casais amigos por nada nesse mundo.

Nico, o argentino que escolhi pra chamar de meu, está na mesma situação – mas com uma diferença: ele não se importa. Tá de boa com seus grupos de velhos amigos, se juntam de vez em quando e tá tudo muito bem. Eu, a uns vários quilômetros de distancia dos meus (que agora estão todos espalhados), não tenho a mesma sorte.

A sensação é de que todo mundo já tem seus grandes amigos e ninguém está realmente aberto pra ter novos (eu me incluo: querer ter não é o mesmo que estar emocionalmente aberta). Tudo bem sair de vez em quando, tomar um cafezinho, se falar pela internet, mas chega um ponto em que a amizade não avança mais. E de amizades superficiais, tô bem cansada.

Não, esse não é um texto que vai ter um parágrafo conclusivo. Aceito sugestões. E amigos.

*se você não entendeu o título, clique aqui.

One thought on “Seeking a friend for the end of the world

  1. paulamaria Novembro 8, 2016 / 8:47 am

    Luiza, acho que entendi o que vc quis dizer e acabou que nossos textos seguem caminhos diferentes. Mas, como vc comentou que não havia lido ainda (eu acho), cabe um pitaco?
    Eu não sinto dificuldade de fazer novas amizades porque eu não sei exatamente se quero muitos amigos novos… Quando eu sinto que há uma abertura sincera, procuro cultivar. Geralmente é alguma situação física que me coloca neste lugar, como por exemplo, a minha mudança de Vila Velha para Vitória, em Jardim Camburi. Aqui estou praticamente isolada de todos os meus amigos e da minha família, logo, fico absurdamente muito tempo sozinha, ainda mais que meu marido viaja muito. A solução foi fortalecer os únicos vínculos de amizade que tenho aqui… Um deles é um velho amigo dos tempos da faculdade e outro é a ex-estagiária do meu marido, por quem tive uma simpatia logo de começo e calhou de morar na rua do lado… Mas não viramos bff, pois esse não é o objetivo. Acho que nos bons encontros o importante é a qualidade de presença, é o quanto estar com aquela pessoa te faz bem. Meus melhores amigos já nem moram mais no ES e eu tenho certeza que o contato no skype/telegram não resolve a saudade, mas é o jeito de cuidar dessas amizades. Quando tem outra saída, eu tento, invisto, corro atrás. Sei que nem sempre vai dar pra fazer isso, mas é o que tem pra hoje, sabe? :*

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