Monólogo Individual

Você sabe. Por trás do seu emprego maravilhoso, você sabe. Por baixo dos quilos perdidos com sucesso, você também sabe. Por trás de ter terminado a faculdade, por trás de sair da casa dos pais, ou de começar um namoro, ou de finalmente o namoro ter terminado, porque, sinceramente, chega uma hora que não importa mesmo quem termina. E por trás da viagem dos seus sonhos e dos sonhos da sua família e dos sonhos dos seus amigos e até dos sonhos de quem nem te conhece, você sabe. Ou por trás do seu novo apartamento, do seu novo amigo, do seu novo amor.

Você sabe o que é que acontece quando ninguém está olhando. Que na verdade fazer o que faz pro resto da vida te dá náuseas. Que a sua força de vontade não é tão grande e você sabe que vai falhar, cedo ou tarde. Que você chegou onde chegou e todos estão orgulhosos, mas que na verdade isso não é lugar nenhum. Que você conquistou tudo o que tem e sabe que na verdade não tem nada. Que você não tem a menor ideia do que está fazendo. Que você não está preparado e faz o que não sabe que está fazendo mesmo assim. Sabe o quanto de tempo já perdeu e desconfia que continua perdendo. Sabe que você ainda é você e sabe quem você é, independente do lugar, do trabalho, do namoro, da casa e dos quilos perdidos ou do cabelo cortado. Sabe que podia ser diferente, mas nunca é. Só uma viagem não te muda, só uma formatura não te muda, só um emprego sensacional não te muda, ou só um novo namoro, um novo fim, um novo lugar ou uma nova pessoa. Sabe que, pra fazer o que tem que ser feito, tem que fazer sozinho. E sabe que não tem certeza se dá conta disso.

E sabe, sabe bem, que sempre pode dar errado. Sempre pode sair do seu controle. Sempre pode não ser nada do que você pensou. E sabe também que apesar do calafrio que dá pensar em tudo o que você sabe, sempre existe um espaço para ser feliz. Quando dá errado, quando você falha, quando sai do seu controle, quando não sai e é ainda pior ou quando você simplesmente não estava esperando. Isso não é uma opção. Sempre existe um espaço, por mais que seja apertado, escondido e difícil de achar: ele sempre vai existir. E aí, não tem sabedoria que explique.

Sábado

Acordei e fui bater perna. Normalmente fico esparramada e a preguiça se multiplica. Mas aproveitei a faísca de disposição e fui. Andei um montão, pretendia comprar algo que resolvesse meu dilema de como fazer quadros com fotos sem gastar com molduras, etc. Não consegui, mas voltei pra casa com isso.

flores

E voltei também com verduras e legumes. O nome do mercadinho (que aqui chama verduleria, porque eles chamam tudo de verdura. tipo batata. é verdura. alface, tomate, cenoura, tudo verdura. Oo) era Los Mellizos. Mellizos = Gêmeos. E só tinha velhinhos atendendo. Dois deles eram, claro, os mellizos. Fofos.

tentando entender e tentando fazer as coisas funcionarem

Quem me conhece bem sabe que a ansiedade anda sempre comigo. Falo mil coisas ao mesmo tempo, faço outras mil também simultaneamente, tenho dificuldades em tirar os planos do papel e mais ainda em continuar o que comecei.
Penso em várias, várias coisas que, se eu parasse pra prestar atenção um pouco nelas, podiam render algo interessante, ou poderiam sei lá, só render e desaparecer e deixar um espaço livre na minha cabeça.

Mas é super, super difícil eu conseguir parar e me dedicar a extrair pelo menos uma coisinha. Quando era mais nova, escrevia muito mais. Agora, por ter mais o que fazer e pelo excesso de informação a todo momento, está cada vez mais difícil.

As vezes acho que não é interessante pra ninguém, então pra que é que vou escrever e publicar?
Então eu tento escrever no papel, arrumo caderninhos, mas acabo tendo milhões de caderninhos inacabados que servem mais pra outras coisas que pra esses textos de descarrego.

Ter um blog é minha maneira de tentar ter disciplina. O que acontece é que não sou muito disciplinada 🙂