Uma pausa e 10 fotos pra inspirar

O blog está em silêncio, mas é porque tô com visita em casa! Batendo perna e revendo os pontos turísticos como se não houvesse amanhã.

Pra combinar com esse momento, separei 10 fotos minhas que eu mais gosto, tiradas nesses 3 anos de Buenos Aires.

1. O palhaço que desceu a rua inteira pra pedir dinheiro, rendendo muitas fotos iguais a essa, na sequência:

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2. O pôr-do-sol lindo AND maravilhoso diretamente da minha varanda.

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3. Uma paisagem que me hipnotizou, diretamente do terraço do meu prédio. 

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4. Eu passava todos os dias na mesma hora “por esse céu”, e os pássaros sempre cruzavam na mesma hora que eu. 

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5. Mais uma da série “os melhores céus da America Latina são porteños”. 

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6. Recoleta. 

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7. Reserva ecológica da Costanera Sur. Modelo desconhecido.

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8. Bike tour, nas minhas primeiras semanas.

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9. O dia tava horrível, eu tirei essa foto sem dar nada por ela. Mas ó no que deu. 

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10. E San Telmo, sempre San Telmo. 

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Primavera lilás

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Não tem coisa MARLINDA no mundo que a primavera de Buenos Aires com os Jacarandás. Árvores quase sequinhas com poucas folhas, e com flores que caem formando um tapete LILÁS na rua. Em 2011, meu primeiro ano aqui, tirei essa foto mergulhada no tapete. Esse ano repeti a foto, em outro tapete, com outra sapatilha, com as mesmas flores. Dica: o Jardim Botânico em Palermo tem corredores inteiros de tapetes de jacarandá. Eu simplesmente não acho justo que a primavera dure (psicologicamente) 1 mês e o inverno dure uma década.

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A torta mais linda da paróquia

Era uma vez uma receita que minha mãe viu na tv quando eu tinha 12 anos. Virou minha “especialidade” e é uma das sobremesas mais lindas e que eu mais gosto.

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Receita

Massa preguiçosa, a original:
1 pacote de biscoito maisena
Aprox. 100g de manteiga ou margarina

Massa sem preguiça:
1 xícara de trigo
2 gemas
1 colher de sopa de açucar
2 col chá fermento em pó
Aprox. 100 g de manteiga ou margarina

*A manteiga é aproximada, porque ter que ter olho. A massa tem que ficar consistente, perder a cara de farofa, para que você possa abrir bem na forma.

Recheio:
1 lata de leite condesado
1 lata de creme de leite sem soro
Suco de 1 ou 2 limões (a gosto, siciliano ou verde)

  • Para a massa, misture bem todos os ingredientes com as mãos. No caso da massa preguiçosa, triture antes o biscoito no liquidificador. Misture até que tudo se unifique e forme uma massa com liga e sem aspecto de farofa.
  • Abra a massa numa forma (de preferencia desmontável), levantando as laterais.
  • Leve ao forno por aprox. 10min. Vigie a massa, ela só tem que ficar levemente dourada. Cuidado, porque queima muito rápida!
  • Para o recheio, misture todos os ingredientes com uma colher. Você vai ver que o limão já dá uma engrossada na mistura.
  • Despeje o recheio em cima da massa que já saiu do forno, decore com raspas de limão e leve à geladeira.
  • Deixe gelar por aprox. 2 horas.

Sobre os vizinhos

Comecei a ler um livro que ganhei há um tempo, Mundo ao Lado do Arthur Simões, que viajou pelo mundo de bicicleta e registrou tudo.

Saindo do Brasil, o Arthur cai em outros países da América Latina (Paraguai, Peru, Bolívia, Chile e Argentina), e ler suas impressões sobre ser brasileiro e ser latino americano foi como ler o que eu senti quando cheguei e o que continuo sentindo até hoje depois de quase 3 anos fora.

“(…) Enquanto subia a costa do Pacífico pela rodovia Panamericana, descobria uma América do Sul desconhecida para mim e para a maioria dos brasileiros. Inseridos numa geografia completamente diferente da brasileira, assim como num contexto histórico e cultural bem distinto, os países de língua espanhola compartilhavam muito entre si, tanto comercial como culturalmente  Ao notar isso, senti como se houvesse saído de uma ilha ao deixar o Brasil pra trás. Sentia que, para o brasileiro, havia o Brasil e nada mais (…)”

Isso acontece todos os dias. Todos os dias eu olho ao meu redor e vejo coisas que simplesmente não faziam parte do meu mundo. Quando estou na rua e vejo paraguaios conversando entre si em Guarani – que eu não fazia ideia de que é a primeira língua deles; quando vou comprar fruta e quem me vende são os peruanos. Quando percebo que aqui não há negros nativos, mas são os bolivianos pobres que sofrem muito preconceito. E com detalhes bobos também. No meu primeiro mês aqui uma pessoa ficou indignada porque eu não conhecia “o Sabina”. Aparentemente ele é um músico muito importante, mas até hoje nunca terminei de descobrir. Confesso que o tema celebridade me dá muita preguiça e na maioria das vezes penso “não sei e não sei se quero saber”, a não ser que se trate de bandas, artistas e personagens realmente importantes. No Brasil existe uma certa resistência à musica cantada em espanhol, e um pouco dessa resistência me acompanha até hoje. Ela fez a gente nunca saber que vários sucessos brasileiros são, na verdade, versões de artistas latinos. O personagem do Sidney Magal, por exemplo, é altamente inspirado no Sandro:


Dá pra dizer facilmente que o Brasil é uma América Latina a parte. Ou, na nossa visão, que os demais países são uma metáfora do Brasil e seus estados. Tem sotaques diferentes, comidas típicas de cada região, costumes e até mesmo tem um nordeste que vai pra cidade grande: aqui em Buenos Aires a maioria dos obreiros e empregadas domesticas são do Paraguai. E é o Paraguai também o país do pão de queijo, que eles chamam de chipá. Eu confesso que me surpreendi inclusive ao ver a fígura típica do Argentino, que pra mim era o típico gaúcho do Sul do Brasil. Na verdade era o contrário. E descobri que não, o tango não é a música que melhor representa a cultura argentina. A música típica é o folklore que, adivinha? É bem parecida à música gaúcha.

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Foto da Fiesta de la Tradición, que acontece todos os anos em San Antonio de Areco

Por um lado me sinto egoísta – e “vítima” de uma cultura tão fechada. Por outro, vem a sensação de não ser daqui mas mesmo assim entender isso tudo muito bem.

Só não entendo como a Argentina tem uma brasileira famosa que mora aqui há mais de 20 anos, mas que eu pelo menos nunca tinha ouvido falar.

Anamá Ferreira, a brasileira mais famosa da Argentina. Modelo famosa nos anos 80.

As caixas que viraram prateleiras que viraram divisória que viraram amor ♥

Desde que me mudei há 1 ano e meio, comecei a juntar caixas pra usar na decoração. Descobri um lugarzinho que não fazia cara feia pra dar e a cada semana ia lá buscar mais uma ou duas. Até que juntei todas e comecei a trabalheira: lixar e pintar. Tenho zero paciência pra lixar, então fica mais bonito se você olhar de longe 🙂

Primeiro fiz a estante, que serviu de “apoio” pra “árvore de natal”, depois mudou de lugar mas continuou no mesmo formato.

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ATÉ QUE eu cismei há 1 semana que queria uma divisória. Queria e queria. Moro num “monoambiente” e queria a ilusão de dividir quarto e sala. Não queria gastar dinheiro comprando um móvel, porque em alguns meses vou me mudar novamente. ENTÃO, olhei pras caixas. Elas olharam pra mim. E decidimos que era a hora.

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A melhor parte foi a parte de trás – que por preguiça acabei não pintando, porque ninguém ia ver. E tive que cobrir. Fiz um painel de fotos em preto e branco e depois coloquei pisca-pisca. Tudo fica mais lindo com pisca-pisca 🙂

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E agora to assim, apaixonada. Antes de dormir minha pergunta é: “preciso mesmo apagar o pisca-pisca?”

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Pinóquio também gostou 🙂