Sobre mimimi e frango à milanesa

Foto: http://www.mundobu.com.ar/
essa semana está, digamos, inadequada. “desubicada”, como diriam por aqui.

não vou entrar em detalhes, porque semanas tumultuadas todo mundo tem, e a gente acha que nao tem mais jeito, que perdeu o controle de tudo mas aí lembra que passamos por outras semanas assim e que assim como vem, elas se vão.

sem querer ser profunda, mas é que hoje foi tipo o dia de glória (ao contrário) de uma sequência de dias cinzas. e passei por uma metáfora que quero registrar, mesmo que não faça sentido pra mais ninguém.

fui comprar carne num mercadinho que gosto, aparentemente limpinho, honesto, não muito barato mas com funcionários buena onda. não tinha ninguém no açougue pra me atender, mas eu via que os moços estavam na parte de dentro batendo papo. alguns funcionários passaram e me viram, entraram, mas ninguém veio me atender. me senti invisível, contei até 10 como última chance pra alguém vir me salvar, mas ninguém veio. fui embora, sem fazer alarde, chateadinha mas aceitando que simplesmente não era a hora de comprar carne.

minha gente, tem hora que aceitar o azar, a deprê, a fossa e a zica é preciso. preferi não ferir meu amor pelo mercadinho, dar meia volta e deixar pra lá. voltei pro meu edredon e pro meu mimimi, sem frango mas com dignidade.

mais tarde, tive que passar de novo perto do lugar. sem drama nenhum entrei e fui, de novo, até o açougue. fui atendida rápido e o moço cortou e limpou tudo bonitinho pra mim. o mimimi acabou, esse ainda é meu mercadinho favorito e agora tenho uma linda janta argentina – milanesas fininhas, mas que pedi pro rapaz cortar “no muy finas”, ‘porque lá no meu país as milanesas têm dois dedos de altura’ – essa parte foi da minha conversa imaginária com ele.

frango

A propósito, essa milanesinha vai no forno e é facil de fazer:

Temperar os bifes com sal, alho e salsinha e deixar por uns 40min na geladeira.
Depois, passar os bifes por ovo batido e por farinha de rosca, apertando pra ficar grudadinho.
Colocar os bifes numa assadeira untada com óleo (eu uso um spray de óleo pra untar, sem medo porque senão os bifes grudam), e depois jogar azeite por cima dos bifes, delicadamente sem encharcar.
Levar ao forno pré-aquecido e vigiar, quando a parte de baixo dourar, é só dar volta e esperar dourar o outro lado.

Sucesso.

Resenha

um menino negro, com black power, que falava espanhol com sotaque, atendeu a gente num café.
-de onde você acha que ele é?
-uruguayo. e você, acha que é brasileiro né?
-sim. é brasileiro. olha o tênis dele, ta escrito “pelourinho”.

estava convencida e já olhando pra ele tipo “eu sei que você é la do Pelô, meu rei”. quando ele volta na mesa, faço meu pedido em espanhol e no final pergunto:
-você é brasileiro né?
-Cubano.

Ah, ta bom então.

Foto: http://superkarmen.blogspot.com.ar/

 

* explicação pra duvida de nacionalidade: na Argentina quase não tem negros – “quase” sendo gentil, só pra ninguém falar que to generalizando. 95% de chances de ser estrangeiro: Brasil, Uruguay, Colombia ou Africa.

* explicação para a confusão que agranda minha vergonha: acabei descobrindo que Pelourinho é uma marca de tênis e roupas esportivas, aparentemente argentina, que não tem absolutamente nada a ver com o Pelourinho de Salvador. É…

Conexão agreste

Sou daquelas que pode comer numa boa mandioca com manteiga no café da tarde. Minha avó fala oxente e minha mãe tem o estado de Pernambuco na certidão  apesar do falso sotaque carioca. No final das contas, acabei nascendo em Campinas, mas com a sensação de que herdei lá de cima a falta de frescura. Não me constrange entrar na casa de gente mais pobre, e no final das contas sei que quem não tem luxo tem grandes chances de ter muito mais felicidade que qualquer outra pessoa.

Aí eu, longe de casa e muito mais longe desse nordeste que nunca fui, me derreto toda. Me derreto com o sotaque e passo semanas encantada com música boa e com gente autentica. Saudades de algo que nunca conheci, mas que representa a tudo aquilo do que eu mais sinto falta no Brasil.

Dominguinhos sendo uma trilha sonora pro post e pra vida.

Receita: uma sobremesa dos deuses, deusas e reles mortais

Senhoras e senhores, apresento-lhes uma das melhores sobremesas que já provei nessa minha vida. Aviso logo: pare por aqui se você está de dieta.  Maçã, canela e creme chantilly. Ou seja, a melhor das melhores combinações desse mundo.

Ingredientes das maçãs:
Maçãs
Açúcar (de preferência mascavo)
Canela
Água

Ingredientes do Chantilly:

Creme de leite fresco (sim, FRESCO! O normal do supermercado não serve).
Açúcar

Modo de preparo:

Tire o miolo da maçã. Você pode usar o utensílio próprio para isso se tiver, ou então uma faca normal.

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Descasque as maçãs. É importante fazer isso em segundo lugar, ou a maçã pode quebrar quando você for tirar o miolo. Eu cometi esse erro com a primeiria maçã, e se acontecer com você é só emendar com um palito de dentes.

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Coloque as maçãs numa forma e preencha o miolo vazio da maçã com açúcar e canela. Eu sempre coloco um pouco de canela na metade do miolo e mais um pouco em cima.

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Coloque um pouco de água na forma. Serve para as maçãs não queimarem e pra criar uma calda.

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Leve ao forno médio-alto por aprox. 1h. Verifique sempre se a água não secou, e caso esteja secando adicione mais um pouco.
As maçãs estarão prontas quando um garfo entrar facilmente.

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Para o chantilly,  bata o creme de leite FRESCO com açúcar a gosto. Para bater, use um fouet ou mesmo um garfo, batendo sem parar até ganhar consistência. Força no braço!

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Voilá!

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*Post originalmente publicado no Guia dos Solteiros. Lá tem mais posts meus e muitas dicas boas também 🙂