Desculpa aí

Eu fico constrangida em dizer isso, mas tem dia que a vontade de ser cruel é forte.
E quando esse dia vem, é difícil segurar a tolerância e o que eu mais quero e sair distribuindo verdades, gratuitamente, sem dó. Eu nao vou ilustrar esse texto com exemplos, porque apesar do “tem dia”, vontade dá e passa, como dizem por aí.
E, além do mais, se a fraqueza e as máscaras das pessoas ao meu redor sao tao transparentes e elas [aparentemente] nem se dao conta, eu também devo ser ser vítima de alguem que passa por esses dias crueis como eu.
Mas ó… que dá vontade, dá.

Sobre saudade e atendimento ao cliente

A saudade que eu sinto do Brasil é difícil de explicar. Tem a saudade óbvia, da minha família e amigos, e a saudade bem brasileirinha, que nao basta pisar no Brasil pra que ela desapareça. É uma saudade que, para matar, tem que esperar, simplesmente acontece.

Estou no Brasil há uma semana a trabalho, isolada do planeta em Lavras, uma cidadezinha do sul de Minas. Uma parte da saudade vai continuar crescendo, já que em Lavras não tem um ônibus que me leve a nenhuma das minhas duas cidades. Mas a outra parte, quando me dei conta, já estava menor.

Se tem uma coisa que é difícil encontrar em Buenos Aires é um bom atendimento. E, bom, eu não esperava encontrar em LAVRAS nenhum restaurante, lojinha ou farmácia com um serviço de primeira. Mas aí o mineiro pegou toda sua hospitalidade e esfregou na minha cara.

Peço coraçãozinho de galinha no restaurante e o moço me pergunta, rindo a toa apesar de estar trabalhando no feriado: “apaixonado ou desapaixonado?”. Pego doce de leite de sobremesa e alguém passa do meu lado e pergunta “mas cadê o queijinho, moça?!”. Chego no hotel e o gerente, que trabalha o dia INTEIRO num hotel que tem mais funcionário que hóspede, puxa papo no corredor pra falar da vida “e aí, ceis já tao igual local aqui?”. Vou trabalhar numa escola técnica e os funcionários chamam a gente pra merendar com eles: “vem gente, tem cafézin novo e pão de queijo”.

Minas Gerais: apesar das ladeiras, me dá aqui um abraço, sua bonitinha!

Carrot cake, ou um bolo de cenoura diferente

O pessoal por aqui é metido a usar os nomes das coisas em inglês e pronunciar “em inglês” mesmo. Morrem de rir com nossa pronúncia de “fecibúqui”, “iutubi”, etc.

Eis que, um belo dia, eu vi em um cardápio o Carrot Cake e, esperando ver nosso bolo de cenoura querido, me dei de cara com um bolo escuro, com cobertura branca e DELICIOSO.

Aí o mundo caiu com a informação: o nosso bolo de cenoura é o que é diferente! Fiz tanto alarde pra essa descoberta que, como prometido, interrompo a programação (?) normal (?) desse blog para mostrar o resultado da minha primeira experiência com o carrot cake na cozinha.

A receita foi inspirada nessa aqui: http://allrecipes.com/recipe/carrot-cake-iii

A minha versão foi levemente adaptada, baseada nos comentários que eu li.

Ingredientes da massa:
4 ovos
1 xíc de óleo
1 xíc de açúcar branco
1 xíc de açúcar mascavo
2 col chá de extrato de baunilha
2 xíc de farinha de trigo
2 col chá de bicarbonato de sódio
2 col chá de fermento
1/2 col chá de sal
2 col chá de canela
3 xíc chá de cenoura ralada
1 xíc de nozes bem picadinhas

Pré-aquecer o forno a 175ºC
Untar e enfarinhar uma forma. Eu usei uma forma de bolo inglês de medidas desconhecidas (!), mas a receita original sugere uma forma retangular de 22 x 33cm.

Bater os ovos, o óleo, os açúcares e a baunilha.
Adicione aos poucos a farinha, o bicarbonato, o fermento, o sal e a canela.

Por fim, misture a cenoura e as nozes.

Asse por 40 ou 50 minutos, depende do forno! Verifique com um palito de dente, se sair sequinho, está pronto.

Deixe esfriar por 10 minutos antes de desenformar.

Agora, A COBERTURA! Eu segui exatamente a receita e, sério, foi demais. Se você tiver uma alma muito obesa e gostar de coisas bem doces, pode ir em frente. Eu reduziria pela metade, ou menos. Coloquei bastante cobertura e ainda sobrou um montão.

Ingredientes, já adaptados para o que eu acredito ser ideal (a metade!):

1/4 de xíc de manteiga (em temperatura ambiente, bem amolecida)
Meia barra de cream cheese Philadelphia, ou 110g de outro cream cheese qualquer (também em temperatura ambiente). Esse Philadelphia não é exatamente o que compramos pra passar no pão! É uma barra, tipo manteiga, assim:

1 xíc de açúcar de confeiteiro

Meia xíc de nozes bem picadinhas

Bata tudo por alguns minutos até ganhar corpo. 

E esse é o delicioso resultado: