Muitos assuntos pra um título só

Ontem eu presenciei um pedido de casamento de filme. Nada dessas mega produções que andam saindo no youtube, foi algo mais para cena de filme norte americano da sessão da tarde: o cara se vestiu de mariachi, cantou e depois nos cedeu a honra de ver a ele e aos amigos interpretando o clipe de I’m sexy and I know it. Impagável. Apesar do lado cômico, conseguiu ser um pedido de casamento que arrancou lágrimas. Aí que:

Deu vontade, mas não chorei. Uma amiga chorou e, depois de tudo, estávamos falando sobre o que nos faz chorar. Está para nascer alguém que chore mais que eu, mas meu choro provavelmente tem distúrbio de caráter. Não choro em situações previsíveis como nascimentos, casamentos, doença, guerra, despedidas. Ontem só consegui lembrar que choro quando fico nervosa, é a minha reação (e isso explica a frequência, eu acho). E, agora, acabo de chorar revendo o último capítulo de Sex and The City. Me julguem, mas choro com todos esses filmes e séries para se envergonhar de ver. Na única vez que fui a um enterro, tive receio de não chorar. Mais ainda há um resto de decência nas minhas emoções.

Desvio de caráter a parte, viva o amor e quem consegue rir dele. I work out!

Outro dia #2

Uma mulher me fez uma das perguntas que mais escuto: “por que você veio pra cá?”. Eu disse: “sem motivo. O motivo está em porque fiquei”. Ela sorriu e, como quem pergunta se é loiro ou moreno, perguntou: “argentino ou argentina?”

Falando nisso, estou pensando em fazer cartõezinhos-resposta para distribuir aos meus novos contatos:

1. Sou brasileira.
2. Sou de Campinas, uma cidade no interior de São Paulo. Mas morei muitos anos em Vitória, uma cidade no Espírito Santo, que é um estado entre Rio e Bahia. Tem praia, é uma ilha.
3. Sou de São Paulo. (versão resumida para contatos superficiais)
4. Meu namorado é argentino e nos conhecemos quando eu já estava aqui.
5. Meus cachos são naturais, lavo e eles secam assim mesmo.

Justificativa para o número 4: a quantidade de brasileiras que conhecem argentinos no Brasil e se mandam pra cá é imensa.
Justificativa para o número 5: a quantidade de cachos aqui só não é menor que a quantidade de negros, parece que nunca viram na vida. Chocante.

Uma verdade

A grande revelação a respeito dos bad hair days para mim é que na maioria das vezes eles não têm nada a ver com o cabelo. Buenos Aires é úmido, muito úmido, e em determinados dias é mal intencionadamente úmido. Mesmo assim, em um desses dias contrariei as leis do universo dos cachos, lavei o cabelo e saí de casa sem secar. Sambando na cara do frizz, meu cabelo conseguiu ficar fino e elegante o dia inteiro.
Mas um dia quando quer ser ruim, vai ser ruim sem respeitar a sua beleza. As pessoas vão combinar de ser hincha pelotas e crueis, todas ao mesmo tempo. Quando o dia atingiu a marca de 10 merdas acontecendo ao mesmo tempo, decidi correr pro banheiro e esconder meu cabelo, envergonhada. Vinte grampos cabeça a dentro e pronto, apropriadamente vestida para a ocasião. É quase como chegar a uma festa de fundo de quintal de salto alto e batom vermelho: não orna.

Meu tipo de gente

Isso não faz sentido e é uma generalização absurda, mas estou notando certos padrões nas minhas relações bem sucedidas.

1 – Gosto de gente retardada. Vai além de “gente que não se leva muito a sério”. É simplesmente gente que sintoniza comigo e que conseguimos ser retardadas juntas.

2 – Gosto de gente imperfeita. Porque olha, sou imperfeita demais pra suportar perto de mim gente que só deu certo. Te admiro, te acho legal e tudo mais. Mas só te desejo feliz aniversário via facebook, ok?

 

 

(A lista está sendo construída, minhas relações não são tão bem sucedidas assim.)